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domingo, 14 de março de 2010
domingo, 27 de janeiro de 2008
MANIÇOBA ENTREGUE ÀS BARATAS
A praça de Maniçoba, que já foi uma das mais belas e mais cuidadas de todos os povoados da região, ganhando, inclusive, da sede municipal, hoje, assim como a maioria das coisas públicas do município de Capoeiras, encontra-se entregue às baratas.
Lembro-me quando criança, onde junto a todas as crianças do povoado, brincávamos de pega-pega, esconde-esconde, aproveitando das grandes e fechadas plantas que eram ideais para brincadeira, pois de tão fechada, após o guerreou, ninguém mais nos via. Quem não lembra quando a televisão ainda não era um bem popular por essas bandas, que a prefeitura colocou uma TV nessa casinha da foto, sentávamos nos bancos, no chão, bancas que levávamos quando não encontrávamos mais lugar para sentar e virávamos a noite assistindo, paquerando... Como era bom... Como se paquerou naqueles bancos, quantas conversas hilárias eram trocadas naqueles bancos, quantas fofocas... as janelas do povoado nos viam e nós víamos as janelas, ali sentados.
Na Festa de Nossa Senhora da Salete, eita que não sobrava espaço pra ninguém, os casais tomavam os bancos, as calçadas, a parede escura da igreja...
Como diria o saudoso Manuel Bandeira: "Foi há muito tempo"
É muito triste, como filho de Maniçoba e, assim como todos que a amam, vê-la nesta situação. Saber-se que ela está assim porque não é de hoje que não é cuidada. Há quantos anos não vemos um projeto de melhoria para o nosso povoado?! Interessante é que, antes de se pensar em reformar nossa querida praça, de trazer de volta nosso espaço de encontro, de bate-papo e descontração, o nosso Governo Municipal pensou em colocar um nome e um busto.
Refletindo o assunto, o que acho mais interessante ainda é que, sabendo que desde quando temos conhecimento dos registros de memória escrita, os monumentos são estudados como intimamente relacionados com o poder. Aí, matei a questão. Por que o Prefeito queria que fosse o seu sogro a dar nome à praça, que teria seu busto? É óbvio que é para perpetuar o nome da família no poder, não por ter seu nome como um dos construtores de nossa história, pois assim não o fez. Pois, como já é sabido, ele apenas fez a praça, mas a fez como dever, usou dinheiro público, esse que pagamos os impostos com o suor do nosso trabalho. Seu José Ribeiro, não, não tinha obrigação de nada, só amor, coisa que falta a muitos políticos, que só fazem as coisas por interesse, e com amor ele doou o terreno para construção do povoado, chãos de casas, chão da igreja, da casa paroquial, da praça, de parte do cemitério, arrecadou dinheiro, garrotes, brindes para a primeira festa de Nossa Senhora da Salete e as seguintes, botou dinheiro do bolso, seu suor e de seus filhos, familiares e amigos para a construção da igreja. Seu José Ribeiro sim, devia dar o nome a praça, e olhe que, como reconhecimento de sua importância a nossa história, já tem até busto feito pelo nosso artesão Manuel de Zeca.
Como pode ser facilmente observado pelos moradores, quem quiser ir à praça e não ficar em pé tem que levar seu banquinho ou cadeira de casa. É muita vergonha! Assim, que quiser ver a praça com plantas tem que ir lá, plantar e regar todos os dias. Ah, também vamos fazer uma campanha para arrumar aqueles blocos para reestruturar o seu piso, pois são inúmeros os tropeções levados diariamente pelas pessoas que transitam na praça, tenho medo que um dia alguém chegue a quebrar a perna ou o braço, e vai que o carro da saúde esteja quebrado ou a serviço de motivos particulares, que a situação é mais agravante ainda, vai corre atrás dum vereador, que só serve como assistente social pra fazer esses favores e soltar bandido da cadeia e em troca ganhar o voto do servido e de sua família. É mais um voto vendido, como já é de costume... ai, ai... favores médicos, funerais, construções, feiras, dinheiro, promessas de emprego à família que tiver mais votos... Digo sempre a mim mesma: Vai com calma, Maniçoba é só mais um cantinho, nesse imenso Brasil, que sofre com esses maus políticos!
Olho com muita tristeza tal desprezo por esse tão rico lugar. Tantos talentos que podem ser explorados. O Pastoril, O Reisado, a Asa Branca, os esportes merecendo atenção. É horrível o tratamento dado aos grupos culturais de nosso lugar. Reconhecidos na Capital Pernambucana, em Garanhuns, em todo lugar onde se apresentam, e em nosso lugar são deslocados em pau-de-arara, que não tem nem lugar para sentar. Lembro de uma situação que as coitadas das mães que acompanhavam suas filhas no grupo de Pastoril tinham que se segurarem, já caindo por cima uma das outras no caminhão, e ainda segurarem suas filhas. Uma casa-patrimônio, como é a casa de Seu José Ribeiro, não se ter nenhuma política para ela, prestes a cair, sendo que é um marco na história do povoado, casa de seu início, agora entregue a desalmados que jogam um monte de entulhos dentro e em seu redor. Pedimos providências! Enquanto cidadãos, precisamos ser tratados com dignidade, ao menos ser pensados pelo governo. Nossa Cultura clama por espaço nas políticas de governo do município.
Fica a nossa desaprovação ao atual governo, que deve se cuidar, pois o nosso povo não é besta. Uma mudança deve estar por vir. Como já falava o ditado popular: "Errar é humano e permanecer no erro é burrice".
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Maniçoba: louvando Jesus Menino
Dezembro está chegando e novembro guarda seus finados e dá passagem à luz que anuncia o espírito natalino.Lá em Maniçoba, no Agreste pernanmbucano, as pessoas desde sempre mostram o zelo que têm pela cultura do lugar; a "Casa das 12 janelas" e o carro de boi na frente dessa casa e um velho pote de água no canto da cozinha são uma prova disso.
As casas são agarradinas nas outras; nos quintais encontramos aquela areia fininha...fininha e meio escura, que as galinhas gostam de ciscar e pôr seus ovos de capoeira.
Poucos lugares no Brasil possem a riqueza que encontramos em Maniçoba: o reizado, o pastoril, as cantorias, a cavalgada da amizade e os leilões de bode pra animar as quermesses da pequena Igreja dão conta de que os capoeirenses (de Capoeiras-PE), os maniçobenses são atuantes e festejam também com muita alegria o Dia de São José, e acreditem! O bom Padre de lá, ainda usa aquele tipo de batina que a gente só vê impregnada nas imagens do "Padim Ciço". Eita, Maniçoba! Eita Lugar arretado!
Guardo boa lembrança do convite de Agostinho Jessé, um agitador cultural de Maniçoba. O desafio foi fazer um estandarte para o Pastoril, em homenagem ao Jesus Menino. Dito e feito: numa tarde de sábado e varando o domingo em Recife, minha mãe Noemia, minha irmã Brasília Morena e eu tecemos um estandarte azul e encanardo para mostrar também o nosso amor às raizes nordestinas.
(Graça Graúna, Nordeste do Brasil, 19.nov.2007)
*Capturado em: http://www.ggrauna.blogspot.com/, em 21 de nov. de 2007.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Maniçoba dos Meus versos - Cordel - página 01

Apreciem meus leitores
A história de um lugar
Povoado de memórias
De uma gente sem iguá
De cultura e tradições
Que em versos vou contar
Falo a vocês de Maniçoba
Em palavras cá rimadas
Levantando sua origem
Pelas histórias contadas
Desde um cercado de palmas
Que deu lugar a moradas
Muitos pés haviam
De uma planta danosa
O gado comia e morria
De sua folha apetitosa
Parecida com mandioca
Porém muito venenosa
Abundantes Maniçobas
Deram nome ao lugar
Outras árvores são história
Com licença, vou citar
O pé de caixão e a umburana
Em lágrimas pego lembrar
01


Cordel - página 02

Recordando a minha infância
Onde brincava e também via
Meu avô com sua arte
Inventava tudo e fazia
Cangas, mesas e cancelas...
À sombra da umburana fria
Ali onde preparava o fogo
Pra ferrar carro de boi
E a correnteza descia
Com um tempo sem depois
Sem dó cortaram a umburana
E minha infância com ela se foi
O pé de caixão é um símbolo
Vovô se foi e ele caiu
O defendia com toda garra
Ainda em vida pediu
Que ninguém o derrubasse
Mas a natureza não ouviu
E foi numa tarde triste
De chuva e ventania
Que as janelas do povoado
Com muita dor assistia
A briga pra ver com quem
Seu tronco caído ficaria
Onde brincava e também via
Meu avô com sua arte
Inventava tudo e fazia
Cangas, mesas e cancelas...
À sombra da umburana fria
Ali onde preparava o fogo
Pra ferrar carro de boi
E a correnteza descia
Com um tempo sem depois
Sem dó cortaram a umburana
E minha infância com ela se foi
O pé de caixão é um símbolo
Vovô se foi e ele caiu
O defendia com toda garra
Ainda em vida pediu
Que ninguém o derrubasse
Mas a natureza não ouviu
E foi numa tarde triste
De chuva e ventania
Que as janelas do povoado
Com muita dor assistia
A briga pra ver com quem
Seu tronco caído ficaria
02
Cordel - página 03

Nos rastros da história
Em trinta dou passada
Quando a família Ribeiro
Em várias terras espalhada
Se reuniu em Maniçoba
Na primeira missa rezada
Foi debaixo duma palhoça
Em frente ao casarão
Celebrada pela morte
Do meu bisavô João
Deixando um mundo de terras
Q’inda hoje tem questão
Meu avô o primogênito
Homem de grande coração
No mesmo dia da missa
Começou a doação
Pedido pelo o primo
Pr’uma bodega deu o chão
À beira da estrada a bodega
Começou a povoação
Vovô dando terreno
Haja casa em construção!
Homem e mulher trabalhando
Pra crescer a população
Em trinta dou passada
Quando a família Ribeiro
Em várias terras espalhada
Se reuniu em Maniçoba
Na primeira missa rezada
Foi debaixo duma palhoça
Em frente ao casarão
Celebrada pela morte
Do meu bisavô João
Deixando um mundo de terras
Q’inda hoje tem questão
Meu avô o primogênito
Homem de grande coração
No mesmo dia da missa
Começou a doação
Pedido pelo o primo
Pr’uma bodega deu o chão
À beira da estrada a bodega
Começou a povoação
Vovô dando terreno
Haja casa em construção!
Homem e mulher trabalhando
Pra crescer a população
03

Cordel - página 04
Unidos fizeram Igreja
Festa e grande leilão
Em homenagem à padroeira
Ainda teve procissão
Atrás do andor seguia o povo
Demonstrando devoção
O povo era de acordo
Que o padroeiro fosse São João
Mas Nossa Senhora da Salete
Tinha imagem à disposição
Ganhada de um político
Em época de eleição
Foi-se passando o tempo
Crescendo a animação
E o povo organizando
Grande festa pra São João
Tradicional e das melhores
Que se vê na região
Essa época se encanta
Com uma quadrilha arretada
É a linda Asa Branca
A cada ano renovada
Mesclando o antigo e o novo
Sempre brilhando e animada
Festa e grande leilão
Em homenagem à padroeira
Ainda teve procissão
Atrás do andor seguia o povo
Demonstrando devoção
O povo era de acordo
Que o padroeiro fosse São João
Mas Nossa Senhora da Salete
Tinha imagem à disposição
Ganhada de um político
Em época de eleição
Foi-se passando o tempo
Crescendo a animação
E o povo organizando
Grande festa pra São João
Tradicional e das melhores
Que se vê na região
Essa época se encanta
Com uma quadrilha arretada
É a linda Asa Branca
A cada ano renovada
Mesclando o antigo e o novo
Sempre brilhando e animada
04

Cordel - página 05

Em homenagem ao rei
Iluminada pelo Baião
Pensada por Agostinho
Já na sua fundação
honradamente leva o nome
Dessa ave do sertão
Essa terrinha respira
A tradição popular
Aplaudiu grandes mestres
Da arte de improvisar
Que vinham cantar um pouco
Dos lindos versos no ar
Vovô Henrique e Vó Rita
Com toda sua família
Toda a raça de Velho
Sempre deu grande valia
Promotores e apologistas
Da saudosa cantoria
Passou-se a fazer num bar
Em destaque principal
Por Salete de Enivaldo
Promotora sem igual
Conhecida por todo poeta
Nesse mundo cultural
Iluminada pelo Baião
Pensada por Agostinho
Já na sua fundação
honradamente leva o nome
Dessa ave do sertão
Essa terrinha respira
A tradição popular
Aplaudiu grandes mestres
Da arte de improvisar
Que vinham cantar um pouco
Dos lindos versos no ar
Vovô Henrique e Vó Rita
Com toda sua família
Toda a raça de Velho
Sempre deu grande valia
Promotores e apologistas
Da saudosa cantoria
Passou-se a fazer num bar
Em destaque principal
Por Salete de Enivaldo
Promotora sem igual
Conhecida por todo poeta
Nesse mundo cultural
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